quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Laranja Mecânica - uma lavagem cerebral da literatura para o cinema


Quando pensamos na expressão Laranja Mecânica, as imagens que se formam diante de nossa mente, nos  remetem ao filme dirigido pela genialidade de Stanley Kubrick de 1971, uma marcante obra cinematográfica,  adaptada com maestria do livro de Anthony Burgess, escrito em 1962. Duas obras que se completam harmoniosamente.


Anthony Burgess
Laranja Mecânica - 1962

O enredo escrito de forma perspicaz e estranhamente atraente, onde Burgess recria uma nova sociedade oprimida por uma política severa e aterrorizada pela violência de gangues - que se comunicam através da esquisita gíria "Nadsat" -  busca o asilo no relativo conforto de seus lares, em frente ao onipresente sistema televisivo, instigando o leitor a fugir da realidade cotidiana, para iniciar um profundo mergulho em realidades alternativas, que muitas vezes, se encontram escondidas no âmago da civilização moderna.
O estranhamento do romance já começa pelo título (A Clockwork Orange), retirado de um gíria cockney (dialeto e sotaque distintos dos habitantes do East End de Londres, que de acordo com antiga tradição nascem ao soarem os sinos da Igreja de Bow): "as queer as a clockwork orange", uma expressão que siginifica algo de muito estranho, quase sempre de cunho sexual. 






Stanley Kubrick
Laranja Mecânica - 1971





O filme é o complemento visual e sonoro para a obra de Burgess. Ambientado numa estonteante atmosfera psicodélica, que da um toque surreal aos cenários onde desenrolam-se as tramas, o filme se desenrola pela majestosa trilha sonora da sinfonia de Beethoven. Sem contar na brilhante atuação de Malcolm McDowell, no papel de Alex, personagem principal e narrador da estória. Poucas adaptações da literatura para o cinema foram tão bem sucedidas quanto laranja Mecânica.




Laranja Mecânica, um futuro, um presente, uma distopia ou apenas uma violenta metáfora social?

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Nação Jazz - Grant Green

Desde cedo a virtuose musical caminhava a seu lado, ao 13 anos ja tocava profissionalmente com um grupo gospel em St. Louis. "A primeira coisa que eu aprendi a tocar foi boogie-woogie. Então eu tive que fazer um monte de rock & roll. É tudo blues, de qualquer maneira..." Fenomenal compositor e guitarrista de jazz, Grant Green emanava sua melodia ágil e solta, percorrendo os caminhos do rhythm and blues, do blues, do funk e do groove, com uma simplicidade única e pura. 


Grant Green
Idle Moments - 1963



Idle Momentes, em português momentos de ócio, é considerado sua obra prima, figurando entre os melhores discos de jazz da história.
Reserve um tempo em seu dia, e deixe a harmonia de Grant Green percorrer o ambiente, divorcie-se alguns instantes da turbulência sistêmica e apenas sinta a vibração sonora lentamente acompanhando seus pensamento num majestoso "momento de ócio". 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A revolução fotográfica de Paul Outerbridge

A noção de tempo e ordem, parece estagnar quando a palavra arte é invocada. Fazendo uma viagem nostálgica ao início do século passado, onde Paul Outerbridge iniciava sua eterna e revolucionária passagem no mundo da criação artística. 
Outerbridge, antes de começar a olhar o mundo pelas lentes de sua máquina, estudou na Associação dos Estudantes de Arte de Nova York, nos anos de 1915 a 1917, vindo depois a trabalhar como ilustrador e designer. Alguns anos depois, em 1921, matricula-se numa escola de Fotografia e inicia sua fantástica, chocante e escandalosa obra, sentimentos que a sociedade da época usava para tentar compreender as exóticas imagens captadas por sua lente.
Outerbridge foi um pioneiro da fotografia colorida, especialmente usando o elaborado processo de coloração carbro, que lhe permitia controlar tons criando imagens incrivelmente realistas. Estas suas habilidades e técnicas ajudaram-no a criar obras de vanguarda, sendo rapidamente muito bem aceito pelo mundo da publicidade. 
Depois de ganhar reputação como fotógrafo inovador, Outerbridge passou a concentrar sua criatividade em retratos de mulheres nuas e também em imagens medonhamente surreais, e ás vezes mesclando as duas idéias. 
Devido a esse seu pensamento vanguardista, suas idéias e obras eram taxadas como indecorosas, e isso, o afetou drasticamente, a ponto de, em 1943, mudar-se para Hollywood, para trabalhar com moda, passando a fotografar apenas esporadicamente.

  
Paul Outerbridge
Mesa de Cozinha - 1921



Paul Outerbridge
O colarinho - 1922




 
O colarinho, foi uma de suas primeiras imagens publicitárias, e chamou tanto a atenção, que Marcel Duchamp (renomado pintor e poeta frânces), teria rasgado a fotografia do colarinho engomado para pendurá-la na parede de seu estúdio.











 
Paul Outerbridge
Auto-retrato - 1927







Um estranho e curioso auto retrato feito em 1927.








Paul Outerbridge
Triunfo do ovo - 1932









Paul Outerbridge
Nú com jaqueta de líder de banda - 1936


















Paul Outerbridge
Nú com máscara e chapéu - 1936








Nessa fase Outerbridge começa fazer seus experimentos com técnia pioneira para colorir fotografias, se concentrando em retratos de nús femininos. 



Paul Outerbridge
Phoenix Subindo - 1937























Paul Outerbridge
Mulher com garras - 1937




Nesta obra Outerbridge navega em ambientes surreais, sem abandonar o nú, fazendo uma bizarra fusão. 
















Paul Outerbridge
Mulher com cobra - 1938

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A estimulante surrealidade de René Magritte

Estimular novas formas de pensamento e promover a dilatação da consciência através da arte, eis o que podemos absorver das idéias do pintor surrealista belga René Magritte. Suas obras caracterizavam-se pelo estilo divertido, estranho e bem humarado, onde objetos comuns ganhavam contextos inusitados, sempre procurando desafiar o raciocínio do espectador. "Eu não pinto aquela mesa, exatamente, e sim a emoção que ela produz em mim."
Sua grande fama veio após a segunda guerra, durante a psicodélica década de 60, quando a juventude começava a sair do casulo repressor, através de inúmeros movimentos contraculturais onde a cultura popular inicia o processo de consolidação, e suas idéias e pinturas surreais servem de tempero ao fervente caldeirão licérgico que ocorria na época, sendo reproduzidas em diversas capas de discos de rock.

René Magritte
A sala de audição (1952)









Uma das primeiras bandas a utilizar uma imagem sua como capa foi The Jeff Beck Group, para o disco Beck-Ola, de 1969. 










René magritte
O império das luzes - 1954







O disco Late for the Sky de  1974 do músico Jakson Browne, exibia uma capa claramente inspirada em O império das luzes de Magritte.
















René Magritte
A carta em branco - 1965




A banda Styx usou A carta em branco (1965) como capa do disco The Grand Illusion de 1977.
















Mais algumas de suas enigmáticas e cerebrais obras.
René Magritte
O assassino ameaçado - 1927







Uma pertubardora obra, onde Magritte faz alusões aos romances policiais.









René Magritte
O espelho falso - 1928
















René Magritte
Isto não é um cachimbo



Nesta obra René magritte instiga o espectador ao grafar abaixo da imagem de um cachimbo a frase "Ceci n'est pas une pipe", que significa, "Isto não é um cachimbo". Demonstrando que, por mais realista que fosse uma obra, ela jamais seria o objeto retratado, e sim uma representação desse objeto.




René Magritte
A modelo vermelha - 1935


















René Magritte
O estupro - 1934

















Magrite produziu incontáveis bras, deixando um extenso e instigante universo de imagens e questionamentos perante a mente humana.
 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A heterogeneidade musical do Talking Heads

camiseta
Talking Heads
Desvinculados de estilo e sempre disponíveis a explorar os mundos do experimentalismo, os cabeças falantes, adotaram, como poucos, o conceito da livre vastidão do universo musical, englobando harmoniosamente em suas canções o rock e elementos dos primórdios sonoros, a musicalidade tribal. 
A dialética universal da banda se estende desde as letras de suas canções até sua formação, que tinha como integrante uma mulher Tina Weymouth (baixo e teclado), o que era pouco comum para época. Os demais integrantes eram David Byrne (guitarrista e vocalista),  Chris Frantz (bateria) e Jerry Harrison (guitarra e teclado). 
As primeiras aparições públicas do Talkink Heads ocorreram no auge do cenário punk em Nova York, no lendário CBGB'S Club. Sua primeira manifestação foi em 1975, na abertura de um show dos RAMONES.
Rapidamente o Talking Heads saía da cena underground e rumava para as paradas das rádios, com a primeira faixa do álbum lançado em 1977 intitulado 77, a canção Uh-Oh, Love Comes to Town. Mas todos os pretextos de normalidade foram abandonados a partir da segunda faixa desse mesmo disco, e os Talking Heads, finalmente, começaram a mostrar o experimentalismo sonoro que os acompanhou durante toda sua carreira. 
As letras eram estranhas e perturbantes, pareciam terem saído de um divã psiquiatra, embaladas pela voz alucinada de David Byrne. E com essa combinação incomum o Talking Heads consegue unir o pop ao underground sem perder sua essência e originalidade.

Alguns dos principais álbuns da banda:


Talking Heads
Talking Heads: 77 - 1977



Primeiro disco da banda, contém um dos grandes clássicos do rock, a canção "Psycho Killer".

















Talking Heads
More Songs About Buildings and Food - 1978






A capa do álbum foi concebida por David Byrne (vocalista), e executada pelo artista Jimmy De Sana, é um mosaico de imagens da banda que inclui 529 fotografias em close-up Polaroid.













Talking heads
Fear of Music - 1979


Depois de resultados insatisfatórios com a gravação do álbum, a banda tomou a decisão de ensaiar no sótão da casa do casal Chris Frantz (baterista) e Tina Weymouth (baixista), onde os mesmos ensaiavam antes de assinar com uma gravadora em meados dos anos 70. Em 22 de Abril e 6 de Maio de 1979, uma van tripulada por uma equipe de engenharia de som estacionado em frente a casa de Frantz e Weymouth e correu cabos através de sua janela do sótão. Sobre estes dois dias, Talking Heads gravou as faixas básicas juntamente com o produtor Brian Eno. 







Talking Heads
Remain in Light - 1980

Após a turnê de Fear of Music de 1979, o casal Frantz e Weymouth, discutem a possibilidade de deixar a banda, devido a um desgaste com o vocalista David Byrne. Buscando refletir sobre o estado da banda e seu casamento o csal decide tirar umas longas férias no Caribe. Durante a viagem, o casal envolveu-se em cerimônias religiosas de Vodu haitiano praticado com diversos tipos de instrumentos de percussão, e na Jamaica, conviveram com as raízes do reggae. A experiência foi tão positiva e inspiradora que o casal comprou um apartamento nas Bahamas, onde mais tarde chegaria David Byrne e o produtor de longa data Brian Eno, para gravarem o 4º álbum da banda, e assinarem a reconciliação. 

 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Dualidade Sonora - Breadfan: Budgie x Matallica


Continuando nossa viagem pela apoteótica galaxia sonora, encontramos mais duas bandas igualmente geniais que também compartilharam uma mesma canção. Os europeus, mais precisamento do País de Gales, da banda Budgie lançaram em 1973 o álbum Never Turn Your Back on a Friend, aonde está contida a música Breadfan, que alguns anos mais tarde foi gravada, de forma não menos magistral, pelo Metallica, que posteriormente voltaria a regravar ainda mais uma canção da banda galêsa intitulada Crash Course In Brain Surgery. 

Uma música e duas versões pesadamente eletrizantes.*



 

 





*OBS: para os extressados e agoniados recomenda-se aumentar o volume e deixar a vibração inundar o ambiente.






terça-feira, 14 de agosto de 2012

Edvard Munch e a angústia existencial

auto retrato
Edvard Munch




"A doença, a loucura e a morte são anjos negros que insistem em espiar sobre meu berço". Esta frase proferida por Edvard Munch, ajuda a explicar a angustiante atmosfera de desolação e desespero presente em suas obras, que nada mais são do que reflexo de profundas cicatrizes entranhadas em seu âmago, devido fortes turbulências emocionais e afetivas que marcaram sua vida, principalmente em sua juventude quando fora arrebatado por sucessivas perdas familiares com a morte de seus pais, um irmão e uma irmã. 
Sofrimentos, prazeres, alegrias e tristezas, sentimentos inseparáveis à vida, sem os quais a existência humana parece não poder ser concebida, insumos primordiais às inspirações artísticas. E foi nessa lavoura de agonias e tristezas que Munch, com esmero, plantou suas gravuras e pinturas regadas e fertilizadas com altos teores de intensidade emotiva e psicológica.
Suas pinturas transbordam de um profundo significado, relatando situações críticas da relação existencial humana.

Algumas de suas magníficas expressões:


Edvard Munch
O grito (1893)







    


Sua obra mais conhecida, considerada um ícone da ansiedade existencial. As pinceladas pesadas e as imagens distorcidas são características marcantes suas.
















Edvard Munch
Amor e Dor (1893-1894)





 

Também conhecida como o Vampiro, a obra gerou notoriedade a Munch que ao expo-lá em Berlim, causou tanta polêmica que a exposição foi fechada depois de uma semana.







Edvard Munch
Cinzas (1894)



A dança da vida (1899-1900)






















A cena da dança sob o luar, faz parte da série o Friso da Vida: um poema sobre a vida, o amor e a morte, onde o pintor busca contemplar, numa mesma tela, os sentimentos de amor, ansiedade e morte.







A criança enferma (1907)





Uma de suas imagens mentais, que retrata a situação de sua irmã moribunda.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Dualidade sonora - Last Kiss: Pearl Jam X Wayne Cochran & the C.C. Riders

"Last Kiss" ficou eternizada na peculiar voz de Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, mas a canção nasceu na década de 60 da mente de Wayne Cochran, que juntamente com sua banda The C.C. Riders cantava e interpretava uma das canções mais ouvidas pela geração da década de 90, no auge do movimento grunge.

Dualidade sonora - Blue Suede Shoes: Carl Perkins X Elvis Presley

Na música, são inúmeras as canções que foram regravadas, muitas delas, fizeram sucesso até maior do que as versões originais que raramente são conhecidas. Isso não quer dizer que uma seja melhor que outra, ou vice-versa. Pensando nisso resolvemos desentranhar canções que fazem parte desta dualidade sonora, prestando uma homenagem a seus criadores e seus intérpretes.





Começamos com os sapatos de camurça azul de Elvis, que na realidade não eram dele, mas sim de Carl Perkins. A canção "Blue Suede Shoes" foi mundialmente conhecida na voz de Elvis Presley, mas originalmente foi concebida e gravada por Perkins, que na época em que a canção estourou, sofrera um grave acidente de automóvel, o deixando, por um longo período, afastado da música, sob processo de recuperação. Neste infortuito lapso de tempo, Elvis estava em ascensão e lançou sua versão de "Blue Suede Shoes".











segunda-feira, 30 de julho de 2012

A fantasmagórica e perspicaz visão opressiva de Franz Kafka


literatura, escritor
Franz kafka
O pensamento de Franz Kafka retrata a sensação de impotência do ser humano diante à complexidade burocrática de um Estado opressor; uma fantasmagórica analogia a sua conturbada infância, que fora desenvolvida em meio a um atormentado sistema familiar comandado pela figura estóica e suprema de seu pai - as consequências deste atribulado relacionamento foram descritas por Kafka em uma longa carta, na qual demonstra toda sua mágoa e sofrimento oriundos do comportamento autoritário paterno. Tal carta nunca fora enviada ao destinatário e tornou-se posteriormente mais uma de suas obras póstumas, intitulada "Carta ao Pai". O trauma da infância reprimida e do problema com seu pai foram a matéria prima usada por Kafka para criar o clima tenso e claustrofóbico que caracterizam o estilo de sua escrita. Esta sensação desnorteante de angústia e sofrimento, a busca de uma identidade, a solidão como forma de fuga, a falta de objetivos na vida estão presentes no comportamento dos protagonistas das estórias de Kafka, que no fundo são metáforas projetadas de seus pensamentos e idéias, as quais vêm a se assemelharem às situações reais que permeiam o seio da civilização humana cada vez mais esparsa e confusa. Sentir e entender a filosofia kafkiana através da leitura de suas obras é como ingressar por uma uma profunda jornada rumo a auto-análise, sobretudo a respeito do comportamento humano na condição de seres que integram uma civilização, onde os questionamentos existenciais cruzam-se às teorias, dogmas e paradoxos impostos sistematicamente.

amigo e testamenteiro literário de Franz kafka
Max Brod
A lucidez do sofrimento de Kafka, inegavelmente não poderia ser esquecida, e, se hoje, temos acesso ao seus pensamentos, é graças a visão salvadora de Max Brod, seu amigo e testamenteiro literário. Kafka publicara apenas algumas poucas obras em vida, e o destino do restante delas teria sido condenada ao ostracismo, uma vez que deixou instruções a Max Brod para queimar todos os originais inéditos após sua morte, sendo que este, para nossa satisfação, teve a brilhante idéia de contrariar o desejo do amigo.








Algumas de suas principais e mais influentes obras:

 
Franz Kafka
O Veredicto - 1912
Franz Kafka
O processo - 1914


Franz Kafka
A metamorfose - 1915
Franz Kafka
Carta ao pai - 1919


Franz Kafka
O castelo - 1926




            
















quinta-feira, 19 de julho de 2012

A renúncia metafísica de Giorgio De Chirico

Influenciado por textos de filósofos como Nietzsche e Schopenhauer De Chirico retrata os conflitos da existência humana sob uma ótica melancolicamente enigmática, construindo paisagens oníricas e desprovidas de vida, carregadas de solidão e silêncio, onde o ser humano aparece sempre deslocado e perdido. Essa idéia de desclocamento e sensação de irrealidade moldam o caráter de sua obra metafísica.


Giorgio de Chirico
O Enigma da Hora (1912)

Os enigmas visuais que De Chirico propõe e descreve através de suas pinturas, nos remetem à instigantes jornadas rumo aos paraísos da reflexão, onde nos deparamos com conflitantes choques entre as teorias da civilização e existência humana. 

Giorgio De Chirico
Melancolia de Uma Bela Tarde (1913)

As atmosferas de calor e sol azul que permeiam grande parte das paisagens de suas pinturas, são típicas do verão mediterrâneo da costa leste Italiana, onde De Chirico viveu boa parte de sua vida. 

Giorgio De Chirico
Piazza d'Itália (1915)


Giorgio De Chirico
O Enigma do Oráculo (1910)


Os quadros de Giorgio De Chirico sãs repletos de figuras e sombras deslocadas que enchem a cena de mistério e sentidos ocultos, obrigando o observador a uma análise perene e profunda. Um simples olhar, não basta, para penetrar no abismo mental de De Chirico. 

Giorgio De Chirico
As Musas Inquietantes (1916)

O pintor criou uma corrente surrealista antes mesmo do manifesto surrealista, influenciando artistas como Max max Ernst, Salvador Dalí e René Magrite. 

Giorgio De Chirico
Heitor e Andrômaca (1917)

Em meados da década de 30, quando já era famoso e com muitos seguidores devido ao seu surrealismo, incrivelmente De Chirico resolve abandonar todo seu estilo, que o consagrara até então no mundo das artes, mudando para o estilo clássico, que o acampanhou até o final de sua vida, aos 91 anos, quando morreu de parada cardíaca em Roma. Embora tenha renunciado seu estilo metafísico do passado, ele continuou famoso sobretudo pelas obras criadas justamente nesse período (1909 e 1919). Foi como o pintor metafísico que Giorgio De Chirico deixou sua eterna contribuição para o mundo das artes.







  



terça-feira, 10 de julho de 2012

Seres humanóicos - um império de insensatez

electromundo
             A fenomenal sociedade racionalista humanóica* cria algumas situações que beiram os abismos da perplexidade, como por exemplo o teor da palavra humanidade.
            Do Latim HUMANUS, “relativo ao homem”, derivado de HOMO, “homem”, relacionado a HUMUS, “terra”, pela noção de “seres da Terra”, em oposição aos seres divinos.
No dicionário de língua portuguesa o significado da gloriosa palavra Humanidade, s.f. Natureza humana, o gênero humano, clemência, compaixão, benevolência; pl. o estudo das letras clássicas , consideradas como instrumento de educação moral.
De uma foma mais convincente, a palavra originária do latim, tenta achar um significado mitólogico e carnal para a origem tão misteriosa desta espécie.
Agora, as variações e vertentes da palavra humano que foram criadas através dos tempos, por doutrinários e mestres das línguas e das letras, chega a beirar o absurdo, ou talvez aproxime-se de um significado utópico esperançoso e benevolente?
Imaginamos agora nosso admirável planeta habitado por seres HUMANOS!!!!! Quanta benevolência, uma sociedade irradiando clemência, resplandencendo compaixões desvairadas pelas praças públicas, com uma tremenda inclinação aos estudos clássicos e à educação moral!!!!! Em vez de guerras as nações mostrariam suas forças em festivais de cultura. Um espetáculo tão sublime quanto utópico.  
Este antagonismo reflete o caráter hipócrita de uma formação cultural cunhada à base do condicionamento filósofico e religioso, por pessoas e mentes que assumiram a responsabilidade do controle sistêmico. Para que? Em busca de uma evolução coletiva?
Quem sabe existam paraísos espirituais ou alguma forma de energia evoluída em algum plano superior - se é que existem tais planos - mas tentar conciliar o significado da palavra humanidade com o ritmo de vida social que absorve o cotidiano humano, parece um tanto quanto perturbador.
Ou será, que a indústria farmacêutica usa de sua benevolência para testar medicamentos no excluído povo africano, que sucumbe diante da fome, rodeado pelas pragas das miséria e da doença, amargurando trinta e alguns penosos anos de vida, enquanto o resto do mundo se farta e engorda como nunca, às custas da exploração extrativista e do excesso gerado pelo consumismo?    
E os famigerados detentores do controle petrolífero, que exercem sua compaixão com a mãe Terra, sugando o plasma de suas entranhas e devolvendo-o em forma de gases e poluição?
E o que dizer dos magníficos líderes políticos de uma democracia demagoga, e não menos escrota, que usam suas habilidades adquiridas nas Universidades de Estudo das letras clássicas e da educação moral, onde desenvolvem as artimanhas para manter o atual estado das coisas?
Olhando para este deturpado cenário fica difícil deslumbrar um horizonte iluminado pelos raios do otimismo. Então que tal procurar arrancar,  em meio a esta paranóica aglomeração de seres sociais, a máscara linguística e buscar um significado mais real para a nomenclatura da espécie, com um novo substantivo, em vez de seres humanos passamo-nos a ser reconhecidos como seres humanóicos.


*Racionalismo humanóico: comportamento coletivo paranóico aflorado pela rotina contemporânea; um estilo de vida baseado na frenética conquista material onde as questões existenciais sucumbem perante a esquizofrênica concepção materialista.  


Por Leonardo Barden

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Bicicleta: a (r) evolução sustentável.


electromundoblog
Mover-se pelas cidades brasileiras, e especialmente pelas grandes metrópoles, está se tornando um martírio. O ilusório progresso consumista, vem a cada dia que passa, elevando os índices de vendas de veículos, partindo do pressuposto que o crescimento da indústria é responsável pela estabilidade econômica e social da população; somando-se a esta filosofia consumista, existe ainda a gigantesca e poderosa indústria petrolífera, com sua intricada rede de influências comerciais e políticas; e, compartilhando dessa mesma ótica, o governo, que se nutre dos interesses dessas grandes corporações, permanecendo inerte diante a estes fatos e nada acrescentando a respeito de novas idéias e projetos de transporte público e ou alternativo para amenizar o caos rodoviário. Estudos, e pesquisas já apontam que nesse ritmo de produção e consumo de automóveis, as grandes cidades brasileiras ficarão eternamente congestionadas, todos os dias, todos os horários, a qualquer momento. Sem falar na emissão de gases, no efeito estufa, nas mortes e nos gastos que rede pública de saúde tem com feridos e acidentados. Enquanto isso, o meio de transporte mais simples e benéfico já descoberto até então, aquele que usa todos os elementos do bom senso (não polui, não faz ruído, não necessita consumir combustível, ocupa menos espaço nas ruas, e além de tudo faz bem a saúde e a mente) encontra-se cada vez mais marginalizado, renegado pelo sistema e consequentemente pela população, a não ser por uma singela parcela de aficcionados, corajosos e aventureiros, que enfrentam as agruras deste caótico conjunto de leis e princípios que regulam a ordem das coisas. Além de todos os  benefícios ja citados, o simples ato de pedalar numa bicicleta é fascinante e extremamente prazeroso. O contato do corpo diretamente com as forças atmosféricas e gravitacionais, o ar penetrando pelos pulmões, sentir as reais noções de espaço e de tempo que separam as distâncias, e que são despercebidas quando se esta atrás de um motor, ou em cima dele, aguçam as percepções. Esta aproximação com as leis do universo aliados a alta eficiência sustentável, fazem da bicicleta não somente um meio de transporte essencial para uma nova era, mas também uma forma harmoniosa de percorrer o tempo.   

sexta-feira, 6 de julho de 2012

David Bowie - o camaleão do rock



David Bowie
Ziggy Stardust
Desvendar a obra de Bowie é como iniciar uma longa jornada através das profundezas de sua galáxia mental, onde cada  álbum, cada momento de sua carreira, constitui um planeta a ser explorado. Suas criações são climatizadas numa densa atmosfera ideológica composta de música, poesia, filosofia e alucinantes apresentações visuais. Bowie, além de exímio guitarrista e compositor, assume a identidade e personalidade dos personagens criados em suas obras, produzindo magnificas performances teatrais e sonoras, fazendo do palco uma extensão de sua mente. Com essa capacidade de inovação constante, adquiriu a alcunha de camaleão, influenciando vários artistas e gêneros musicais como o punk, o gótico, o glam rock e o grunge. Um artista completo que compõe, toca, canta, interpreta e se reinventa continuamente, como uma estrela que nasce e brilha, e repousa na galáxia esperando pela grande explosão para se extinguir, ou, quem talvez, para recomeçar novamente.  


Música Starman do albúm The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, de 1972. Neste álbum David Bowie conta a estória de um ser alienígena Ziggy Stardust, que vem para salvar a Terra que seria destruída, e acaba formando uma banda Spiders from Mars. Ele se torna uma estrela, faz tremendo sucesso e acaba não resistindo as tentações e exageros do mundo do rock indo ao encontro do morte, através do suícidio.    

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Neil Young - Rock'n Roll nunca morrerá

camiseta, rock, poster, bolsaLa se vão 44 anos de estrada, desde que Neil Young iniciara sua carreira musical como guitarrista do Buffalo Springfield em 1968, e depois com Crosby, Stills (seu companheiro no Buffalo) e Nash, formou um dos quartetos de vozes mais estonteantes que a música folk rock jamais viu ou verá, gravaram o LP Deja Vu e fizeram imenso sucesso entre 1969/70. Desde então, sua brilhante trajetória atravessou o tempo com uma vasta obra marcada pela influência raiz, das músicas de contry e folk, ritmadas pelo compasso de sua guitarra distorcida e enérgica, lembrando muito o rock grunge dos anos 90, ou vice versa, talvez seja a música grunge dos anos 90 que lembre Neil Young. Seu novo álbum lançado em 2012 "Americana", com sua banda Crazy Horse (formação original) é uma contemplação a sua carreira e um balsamo ao amantes do velho e bom rock. Young mostra que para reinventar-se basta ser autêntico. Conservando as raízes folck rock, as canções são todas gravações do século 19 e algumas da metade do século 20, todas rearranjadas por ele e pela Crazy Horse. Emanando nostalgia e cheirando a carvalho envelhecido, simplesmente rock. "Hey, hey, my, my, rock and roll can never die"!




Clipe do novo albúm do sempre controverso Young, da música "Oh Susanna", gerou polêmica devido a cenas de um gartoinho fumando.

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