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terça-feira, 18 de setembro de 2012

As sábias palavras de José Pepe Mujica

Vez por outra, as lideranças mundiais resolvem fazer conferências, reuniões, ou seminários, como queiram chamar, estes encontros da cúpula que se julga apta a liderar os ditames e os rumos da ordem global que rege a minha, a sua, a nossa vida cotidiana. Foi o que aconteceu agora, poucos meses atrás, no encontro denominado de Rio + 20, no Rio de Janeiro, que teve o intuito de discutir os problemas ambientais e sociais gerados em decorrência deste deteriorante progresso capitalista, e que coincidentemente, não contou com a presença dos principais expoentes do processo consumista: Estados Unidos, China e Rússia.
Solenes e esperançosos discursos para uma mudança no mundo, mais uma artimanha do sistema, uma mera formalidade para uma representação medíocre de debates que servem somente para adubar os canteiros das relações públicas e da faminta imprensa. Apesar de toda esse teatro de esperanças demagógicas, surgiu na figura de um desconhecido presidente oriundo de um pequeno país incrustado na América Latina, bem ao nosso lado, um dos discursos mais inteligentes e sensatos, até então já pronunciado por um político perante os microfones destas formais reuniões, e que por interesses difusos, foi muito pouco divulgado pelos meios de comunicação. Se as suas palavras são sinceras ou não, não da para afirmar, mas o certo é que são sábias. Parabéns señor José Pepe Mujica, presidente do Uruguai.  

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Bicicleta: a (r) evolução sustentável.


electromundoblog
Mover-se pelas cidades brasileiras, e especialmente pelas grandes metrópoles, está se tornando um martírio. O ilusório progresso consumista, vem a cada dia que passa, elevando os índices de vendas de veículos, partindo do pressuposto que o crescimento da indústria é responsável pela estabilidade econômica e social da população; somando-se a esta filosofia consumista, existe ainda a gigantesca e poderosa indústria petrolífera, com sua intricada rede de influências comerciais e políticas; e, compartilhando dessa mesma ótica, o governo, que se nutre dos interesses dessas grandes corporações, permanecendo inerte diante a estes fatos e nada acrescentando a respeito de novas idéias e projetos de transporte público e ou alternativo para amenizar o caos rodoviário. Estudos, e pesquisas já apontam que nesse ritmo de produção e consumo de automóveis, as grandes cidades brasileiras ficarão eternamente congestionadas, todos os dias, todos os horários, a qualquer momento. Sem falar na emissão de gases, no efeito estufa, nas mortes e nos gastos que rede pública de saúde tem com feridos e acidentados. Enquanto isso, o meio de transporte mais simples e benéfico já descoberto até então, aquele que usa todos os elementos do bom senso (não polui, não faz ruído, não necessita consumir combustível, ocupa menos espaço nas ruas, e além de tudo faz bem a saúde e a mente) encontra-se cada vez mais marginalizado, renegado pelo sistema e consequentemente pela população, a não ser por uma singela parcela de aficcionados, corajosos e aventureiros, que enfrentam as agruras deste caótico conjunto de leis e princípios que regulam a ordem das coisas. Além de todos os  benefícios ja citados, o simples ato de pedalar numa bicicleta é fascinante e extremamente prazeroso. O contato do corpo diretamente com as forças atmosféricas e gravitacionais, o ar penetrando pelos pulmões, sentir as reais noções de espaço e de tempo que separam as distâncias, e que são despercebidas quando se esta atrás de um motor, ou em cima dele, aguçam as percepções. Esta aproximação com as leis do universo aliados a alta eficiência sustentável, fazem da bicicleta não somente um meio de transporte essencial para uma nova era, mas também uma forma harmoniosa de percorrer o tempo.   

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O lixo do excesso - A "Ilha das Flores" de Jorge Furtado


Quando olhamos o mundo a nossa volta, nos deparamos com as chocantes incongruências construídas meticulosamente pela raça humana. Das espécies de vida que conhecemos fisicamente até então, o homem, é o única provida de um órgão cerebral desenvolvido. Uma esponjosa massa cinzenta composta por uma complexa rede de células que se comunicam entre si através de disparos elétricos, um universo tão misterioso e vasto quanto o próprio cosmo. 
Dentro deste complexo mecanismo transmissor, desenvolvem-se todas as teorias e ideologias políticas, filosóficas, econômicas, sociais, é nesse universo que florescem os prazeres, as dores e as emoções responsáveis pela razão existencial de nossas vidas.
Mas apesar de toda esta visão sobre esta incrível máquina pensante, parece que o ser humano ainda não conseguiu atingir a compreensão do poder da mente e seus pensamentos. Não obstante ter conquistado inúmeras façanhas do ponto de vista tecnológico e cultural, a civilização ainda adota procedimentos imbecis e arrogantes, onde os sistemas construídos para reger a vida humana no Planeta Terra sobrepujam a harmonia social, em prol de uma riqueza material e egoísta, alimentando o sentimento de ganancia e cobiça.  
Pode-se dizer que vivemos dentro de uma grande azia social, ocasionada durante um lento processo estrutural desde os primórdios da humanidadem onde os líderes humanos orgulham-se da tão sonhada democracia, conquistada, segundo eles, com muita dor e suor, e não se cansam de vomitar seus discursos hipócritas, pregando paz e progresso; ignorando as inúmeras feridas sociais e ambientais produzidas durante o putrefato processo de socialização humana.
E um dos reflexos deste ambiente "humanóico", convivemos de forma pueril com o EXCESSO. 7 bilhões de seres que levam suas vidas em pleno desequilíbrio. Se toda a população do mundo hoje, tivesse as mesmas condições e os mesmo hábitos de compra de países do primeiro mundo como por exemplo os Estados Unidos e a Europa, necessitaríamos de quatro planetas Terra para extrairmos os recursos naturais a fim de saciar a nossa sedenta voracidade consumista.
São fatos que retratam uma realidade de auto-flagelação adotada por uma raça de seres “inteligentes”, que caminha conscientemente sem rumo em direção a um futuro agonizante.
Uma das formas para exteriorizarmos nossas revoltas e indignações, reside na idéia de procurar transformar tais sentimentos em produtos críticos através da arte. E traçando um paralelo com a idéia do consumo excessivo, podemos encontrar um pensamento visceral sobre este comportamento no curta metragem, em estilo documentário, escrito e dirigido pelo cineasta gaúcho Jorge Furtado em 1989 intitulado "Ilha das Flores". Vencedor de vários prêmios, e eleito pela critica européia como um dos 100 mais importantes curtas-metragens do século passado, Ilha das Flores, usando uma linguagem praticamente cientifica, mostra como se desenrolam as relações de desigualdades humanas e suas conseqüências dentro de nosso sistema social, politico e ideológico.



A sopa plástica da humanidade

electromundoUm dos resultados do consumismo desenfreado é a geração excessiva de resíduos descartáveis, em outras palavras, o LIXO, que pode ser de origem gasosa, sólida ou líquida, depositados em terrenos destinados a recebê-los ou simplesmente largados na rua, causando enormes impactos à natureza.
É o que vem ocorrendo nos Oceanos, com as Ilhas de Plástico que aumentam a cada dia. Por ser tão barato, popular e descartável, o plástico torna-se o elemento mais volumoso em nossa rotina cotidiana, e consequentemente também em aterros, lixões, rios e oceanos.
A tão sonhada “comodidade” da vida moderna vende a ilusão de quão gratificante é viver no mundo hoje. A vida mais fácil uma dádiva existencial. Sacos, sacolas, garrafas, caixas e embalagens, tudo é lixo descartável. A conveniência estimula o consumo impulsivo: imagine você entrando em supermercado para comprar uma escova de dente, por exemplo, e passando em frente a prateleira de refrigerante sente vontade de beber agua açucarada e gaseificada, você segue até aquele imenso painel colorido onde ficam expostas as latas e garrafas plásticas, apanha aquele de sua preferência, vai ao caixa paga e sai bebendo, depois disso, com altas doses de açúcar na corrente sanguínea, a embalagem é descartada; que tamanha praticidade não é mesmo, agora imaginemos, se em vez de lata, esse líquido aditivado e colorido fosse vendido em embalagens retornáveis, vidro por exemplo, ou o denominado "casco", você teria que ter junto o vasilhame para poder fazer a compra, ou pagar mais caro para levá-lo consigo, e consequentemente não iria descartá-lo por que da próxima vez ele seria reutilizado e assim sucessivamente, porém muitos tem seus motivos para divergir desta tese, dizendo que seria um retrocesso, uma regressão, até mesmo falta de liberdade de escolha, mas agora vamos inverter a relação desta cadeia consumista, em vez disso, as empresas teriam que arcar com o custo ambiental - que aliás não existe no cenário capitalista contemporâneo - os fabricantes seriam obrigados a recolher todo o material descartado oriundo deste processo de fabricação e consumo. Será que a tese  do retrocesso seria mantida? 
Infelizmente estas ideias parecem ser utópicas, mas servem para demonstrar o quanto a máquina consumista exerce influência sobre o comportamento de compra dos indivíduos, e tudo isso acontecendo dentro de um planeta onde o lixo cresce de maneira proporcional a uma população colossal, e consequentemente vai se tornando parte das paisagens e dos ecossistemas. Aliado a esse fator existe ainda a precariedade de políticas públicas de descarte de resíduos onde se pode ver nitidamente a influência das grandes corporações envolvidas em jogo, e o problema de base educacional de uma população que sofre amnésia crítica, sendo assim, vamos convivendo com as consequências desse lamentável cenário, causando danos irreparáveis ao planeta, à fauna animal e consequentemente a nós mesmos.
Milhões de toneladas de resíduos plásticos boiam pelos oceanos, e em alguns lugares formam amontoados colossais de lixo, como a Ilha de Plástico do Pacífico, situada entre a costa da Califórnia a meio caminho do Japão, com uma área maior do que o tamanho dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo juntos, e a Ilha de Plástico do Atlântico Norte, mais recentemente descoberta, localizada numa área de convergência próxima ao Estado norte americano da Geórgia.
Grande quantidade desta matéria plástica acaba voltando para nosso organismo através dos peixes, que ingerem minúsculos detritos oriundos da decomposição do plástico. Isso significa, que, em outras palavras, quem se alimenta de peixe também corre o risco de estar comendo plástico e todas suas toxinas, que podem ter efeitos devastadores em nosso organismo, como por exemplo, doenças cancerígenas. 
Esse, infortunadamente, representa o ciclo vicioso que molda nossa rotina de seres que se julgam racionais e sociais, se nutrindo da necessidade consumista para aumentar e gerar riqueza para uma minoria, e mais  emprego alienante para trazer renda econômica a uma maioria que consequentemente irá revertê-la em consumo novamente. E o ciclo econômico, em meio ao consumo e ao lixo, segue sua trajetória. 
Mudar este atual paradigma, dependerá da emersão de uma consciência coletiva, um rompimento com certas práticas inquestionáveis até então. Avançamos rumo a uma nova era, onde teremos que fortificar nossa bagagem de conhecimento, ter paciência para olhar e ter domínio sobre desejos e vontades.
Portanto eis um antigo ditado oriental para reflexão: “O seu lixo sempre volta à sua porta, cabe a você escolher a cara dele!”

Enquanto a vida passa a humanidade agoniza

No mês de março de 2012, mais precisamente entre os dias 26 e 29, ocorreram intensos debates envolvendo cientistas especializados em temas sócio-ambientais, no congresso intitulado “Planet Under Pressure” (Planeta Sob Pressão), realizada em Londres. Reunidos neste debate os cientistas chegaram a “inesperada” conclusão de que o funcionamento do sistema terrestre que viabilizou a civilização nos últimos séculos está ameaçado, e o resultado disso poderá ser uma emergência humanitária de escala global, com a intensificação das crises sociais, econômicas e ambientais. E agora mais recentemente o tema novamente foi abordado na conferência sobre sustenbilidade global promovida pelas Nações Unidas no Rio de Janeiro, denominada de Rio + 20, onde as lideranças mundiais reuniram-se para discutir o estilo de vida da humanidade contemporânea.
Ora, ora, será que a precisamos de mais debates, estudos ou provas científicas, para termos convicção de que a humanidade agoniza? Não basta sair às ruas e olhar em volta, e ver os rios de água potável sucumbindo em meio a fétidos detritos emanados pelo frenético processo industrial? Pegar um produto industrializado na prateleira de um super mercado e ler seu rótulo e ver que são compostos por uma miríade de produtos químicos? Saber que uma imensa ilha de dejetos plásticos flutua pelo Oceano Pacífico? Ver que ao redor de nossas cidades, a população de baixa renda, juntamente com a quantidade enorme de animais que perambulam pelas ruas, cresce vertiginosamente? Analisar o crescente número de veículos automotores consumidores de petróleo que circulam exprimidos pelas ruas e avenidas das grandes cidades, exalando seus gases bem debaixo de nossos narizes? As megas corporações, como parasitas, sugando esfomeadamente o sangue negro dos lugares mais remotos do planeta, perfurando profundas camadas de rocha no fundo do mar, sem se importar com as conseqüências e com os possíveis desastres ambientais? Que nos alimentamos basicamente de agrotóxicos, os quais são despejados sobre as plantações em quantidades gritantes? Perceber que os meios de acesso à cultura e a informação estão cada vez mais tendenciosos e alienantes?
O sistema articulado como tal, para reger a vida humana neste planeta está à deriva - feito um imensa aeronave desprovida de piloto, prestes a aterrissar – a colisão parece ser inevitável.
Ou devemos crer, que num futuro próximo estaremos nos locomovendo com meios de transporte alimentados por energia sustentável? Que a energia nuclear será abolida do planeta? Que a população terá uma renda melhor distribuída e crescerá num ritmo controlado? Que consumiremos apenas produtos naturais cultivados sob um processo orgânico com adubos, fertilizantes e venenos naturais? Que as escolas passarão a educar cidadãos e não somente técnicos? Que em troca da busca desenfreada pelo lucro, poderemos trabalhar menos e dedicarmos um pouco mais de tempo a contemplação das artes e ao ócio criativo? 
Eis as questões. Agora resta-nos meditar...

Edvard Munch
O grito












A obra expressionista de Edvard Munch "O Grito", representa bem toda angústia e o desespero existencial de uma civilização que ruma ao colapso.

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