terça-feira, 30 de outubro de 2012

O pensamento iconoclástico de Marcel Duchamp

"Eu me obriguei a me contradizer para evitar que eu me conformasse com meu gosto". Desapontado com o formalismo que tomava conta da vanguarda artística até então, Duchamp decide subverter as formas e conceitos tradicionais, reinventando-se e transformado drasticamente o universo das artes através da criação do conceito do ready mate
Com este pensamento Marcel Duchamp despreza noções, os estilos e a forma de manufatura dos objetos de arte, entendendo que qualquer artefato banal ou industrializado poderia ser transformado numa peça com sentido expressivo, focando não no artigo em si, mas sim na questão da produção da idéia, abrindo as portas para que a arte se tornasse um grande questionamento. 

Marcel Duchamp
Nu descendo a escada - 1912


Marcel Duchamp causava impacto antes mesmo de ingressar no conceito do ready mate, quando adotou o estilo cubista por algum tempo, se integrando ao grupo Puteaux (cubismo orfeônico), não demonstrando lealdade ao movimento, como aconteceu com sua obra "Nu descendo a escada", sofrendo polêmicas objeções de seus colegas, os quais pediram para que renomeasse a obra ou a retirasse da mostra. Ele então a retirou e decidiu não fazer mais parte do grupo.






Marcel Duchamp
A roda da bicicleta - 1913





O termo ready mate significa já pronto. Na visão de  Duchamp o objeto passa do plano funcional para o plano simbólico, obrigando o espectador a refletir sobre a real idéia formulado com aquela imagem tão trivial e comum, que cerca o cotidiano da existencia humana. "A roda de bicicleta" foi sua primeira obra iconoclástica (destruição de símbolos, ídolos, crenças e tradições).









Marcel Duchamp
A fonte - 1917






Porém, sua obra  ready mate mais famosa e polêmica foi "A fonte" (1917), um urinol de porcelana que escadalizou a crítica novaiorquina, ao ser enviada por Duchamp para figurar entre obras a serem julgadas nun concurso de arte, deixando o júri intrigado e perplexo, que rejeitou a escultura sem compreender o que estava acontecendo.















Um título tão excêntrico e desenquadrado do contexto quanto a obra em si, um intricado conjunto de cubos e um osso de choco (uma epécie de molusco marinho)e um termômetro, dentro uma gaiola para pássaros. Esta estranha dialética de perpectivas e sentidos múltiplos arromba portas, até então intocáveis, no horizonte da arte contemporânea, fazendo emergir novas formas de avaliação paralelamente ao belo, ao sublime e ao harmonioso.

Marcel Duchamp
Por que você não espirra Rose Selavy? -  1921




Marcel Duchamp
Rose Selavy - Pseudônimo de Marcel Duchamp




Duchamp desde a tenra juventude fora um apaixonado pelo simbolismo, e adorava trocadilhos visuais e verbais. E sua atitude de assumir a identidade de uma mulher, soaria mais drámatico e misterioso perante os olhos da crítica e da sociedade.
Rose Selavy transformou-se então em seu famoso psudônimo, dando-lhe a possibilidade de explorar, ainda que superficialmente, a experiência do lado feminino.








 


Marcel Duchamp
Etant Donnes - 1968



 Sua última obra só veio a conhecimento do público após sua morte em 1968. Repleta de simbolismos e metáforas, esta obra incita o observador a abandonar seu ponto de vista de receptor passivo, que tem que espreitar por dois orifícios colocados na altura do olhar, numa porta fechada e corroída pela passagem do tempo.
Marcel Duchamp
Visão geral e externa de Etant Donnes - 1968

















Sem dúvida seu legado é imenso, por sua atitude de destruir crenças e conceitos até então pré estabelecidos, alargando o horizonte de entendimento das artes, influenciando os movimentos contemporâneos de novos artistas, e principalmente ao espectador, que fora incitado a ter sempre um olhar múltiplo sobre os acontecimentos e objetos que permeiam o seio da civilização humana. 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O chocante onirismo surreal de Alejandro Jodorowsky

Jodorowski e seu gato
Alejandro Jodorowski
 Náusea, ânsia, repugnância, nojo. Palavras que expressam os sentimentos oriundos da obra do chileno Alejandro Jodorowsky. Afastado dos típicos padrões do cinema hollywoodiano, seus filmes dificilmente serão assimilados, compreendidos e divulgados pela mídia tradicional. Com muita perspicácia, Jodorowsky é um dos raros talentos do cinema que escreve, dirige e atua em todos as suas películas.
A atmosfera de suas filmagens são repletas de cenas bizarras, violentas, carregadas de simbolismos filosóficos e sátiras às grandes mazelas que condicionam o ser humano e a civilização, com altas doses de subversão anti cristã e culto ao misticismo.

Palavras por si só não conseguem descrever seus filmes, no entanto, estejam desprovidos de moralismo e preconceitos para adentrarem nos abismos mentais do polêmico e impactante psicomago Jodorowski. Eis alguns de seus filmes mais marcantes:

Alejandro Jodorowsky
Imagem do filme El Topo - 1970

 El topo

O filme conta a história de um violento bandido que vaga pelo deserto mexicano à procura da elevação espiritual. A sensação de sonho (bom ou mal) é instantânea, as cenas vão e vem e nem sempre o que aparece diante dos olhos agrada aos sentidos. Jodorowsky lança um um torpedo contra os sentidos do telespectador, provocando as mais estranhas emoções. Uma experiência impressionante.



Alejandro Jodorowsky
Imagem do Filme El Topo - 1970
  


















Alejandro Jodorowski
Montanha Sagrada - 1973


Montanha Sagrada (Holy Mountain)

O estilo sarcástico repugnante e de difícil digestão de Jodorowsky continua, só que agora com doses um pouco mais licérgicas. Montanha sagrada é um filme repleto de simbolismos místicos, com poucos diálogos, onde as cenas são construídas através de imagens e cenários oníricos e surreais. O filme representa o auge da confluência entre as idéias místicas de Jodorowski com o cinema.
Mais uma obra onde o psicomago chileno proporciona uma viagem além da experiência audiovisual, rumando para universos espirituais através de uma perturbante divagação do inconsciente.








Alejandro Jodorowsky
Santa Sangre - 1989


 
 Santa Sangre

Descrever os filmes de Jodorowsky é uma tarefa um tanto difícil, pois a linguagem cinematográfica perturbadora necessita ser assistida, sentida, para tocar os sentidos em busca de profundas reflexões. Santa Sangre juntamente com Montanha Sagrada e El Topo, fazem parte da onírica trindade surreal de obras primas que Jodorowsky criou para intrigar as mentes dos espectadores. 


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Woodstock - O espetáculo transcedental de Santana

O ano era 1969, mais precisamente entre os dias 15 a 17 de agosto, o verão norte americano, no interior do país, num anfiteatro montado em meio ao pasto da pacata propriedade rural do fazendeiro Max Yasgur, local onde acontecia um dos maiores fenômenos antropológicos de cunho cultural, onde, uma multidão incalculável de jovens que rejeitavam aos ideais impostos pelo conservadorismo social da época, principalmente contra o governo e sua política democrata pró guerras, agora contra o Vietnã, tudo isso embalado pela lisérgica onda sonora do final da década de 60. Três dias onde o amor e a paz formaram as trincheiras para combater a ganância, o ódio e a violência.

Fazenda de Max Yasgur
Woodstock - 1969

No olho deste ciclone contracultural estava ela, a música, o rock, que fervilhava, talvez, em seu momento mais criativo, sustentado pela transcendentalidade lisérgica que pairava sobre a atmosfera da contracultura dos anos 60. Performances arrasadoras alimentavam as emoções da plateia que presenciava o festival, que interagia e se comportava conforme a vibração que emanava do palco em direção as suas mentes e corpos. Nomes como Richie Havens, Sly and The Family Stone, Creedance Clearwater Revival, Joe Cocker, Crosby, Stills, Nash and Young, o lendário Jimi Hendrix, fizeram parte deste momento único da história da cultura moderna. Mas umas das grandes surpresas e talvez a apresentação mais incrível estava por conta de um grupo de músicos que tocava um vigoroso som que fundia ao rock, hipnóticas percussões de ritmos latinos e africanos, chamado Santana.

Woodstock
Santana - Festival de Woodstock (1969)

A química que Santana e sua trupe encontraram em Woodstock, beirou a um narcótico sonoro, algo transcendental, uma simbiose que sugou o público ali presente, e o arremessou para dentro da música, os tambores, as percussões tribais a incrível performance do jovem baterista Michael Shrieve, e é claro o solo de guitarra de Santana, faziam a apresentação lembrar mais um estonteante espetáculo espiritual de uma tribo intergalática do que um show de rock.

Depoimento de Santana sobre a apresentação, extraído do livro Woodstock de Pete Fornatale:

Santana: É sempre uma onda e um ponto alto recordar o som. me lembro do som antes de sair dos meus dedos, depois o ouvi saindo dos meus dedos para as cordas da guitarra. Da guitarra para o amplificador. Do amplificador para o PA. Do PA para todo um oceano de gente - uma montanha -, todo um oceano de gente e depois de volta para você. Impossível de esquecer. Foi lá que descobri meu primeiro mantra. À esta altura, muita gente sabe que eu estava chapado de mescalina, porque me disseram que eu só ia tocar às 2h ou algo parecido. Mentiram para a gente. Assim que tomei o lance e comecei a pirar, subimos, eram 14h. Foi essa a primeira vez que repeti meu primeiro mantra, que era, "Deus, por favor me ajude a ficar no tempo e no tom certos!" Fiquei repetindo esse mantra. 

E deu no que deu, Soul Sacrifice o ápice de Woodstock!




  

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A solidão urbana retratada por Edward Hopper

Quem algum dia, em meio ao frenesi da multidão, nunca se deparou com a solidão perambulando pelas ruas da congestionada urbanidade humana.
A obra de Edwar Hopper evoca esse trivial acontecimento, tendo como cenário os ambientes urbanos e rurais dos estados Unidos no período entre guerras. Suas cenas abrigam atmosferas tristes, com amplos espaços vazios, invadidas pelos contrastes de luzes naturais e artificiais.
A grande capacidade do artista, reside no fato de estabelecer ligações entre os mundos subjetivo das emoções e o mundo racional da ciência, e isso Hopper faz com muito virtuosismo ao criar cenas cotidianas que se tornaram representações eternas da condição humana.


Edward Hopper
Apartamentos - 1923



A vida cotidiana retratada sempre sob uma atmosfera vazia, onde as pessoas parecem estar congeladas em suas próprias prisões pessoais. 













Edward Hopper
A casa perto da ferrovia - 1925





Alfred Hitchcock era um grande um admirador do isolamento contido nas obras de Hopper, e este quadro serviu de base para o cenário de um de seus maiores clássico, a casa desolada do filme Psicose.










Edwar Hopper
O farol da colina - 1927



Mais um de seus incríveis cenários de desolação, onde Hopper usa e abusa da técnica de sombreamento, uma de suas características. 










 
Edwar Hopper
Automat (A lanchonete) - 1927




A reflxão da mulher solitária e distraída dentro de um bar vazio, enfatizam o aspecto da alienação urbana, tão expressado por Hopper. 











Edward Hopper
Cho Suey - 1929





Como acontece em vários de seus trabalhos, essa pintura apresenta especial atenção ao efeito de luz presente sob seus sujeitos.











Edward Hopper
Mesa para mulheres - 1930




Várias de suas obras usam bares, restaurantes e lanchontes como cenário.













Edwar Hopper
Quarto de hotel - 1931






















Edward Hopper
Cinema em Nova York - 1939




















Edward Hopper
O posto de gasolina - 1940

















Edward Hopper
Falcões da noite - 1942



Uma de suas obras mais famosas, inspirou vários cenários e sensações visuais de filmes.









Edward Hopper
Manhã na cidade - 1944




















Edward Hopper
Quartos para turistas - 1954


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Aldous Huxley e a necessidade da evolução mental

auto retrato
Aldous Huxley
Uma das mentes mais brilhantes do século XX. Retratou de forma sombria, violenta e satírica os problemas da civilização humana, com romances distópicos, que remetem o leitor a um futuro caótico, desolador e sem esperança., demonstrando um profundo conhecimento sobre o condicionamento humano e assuntos relacionados a evolução mental.
 
As visões de Huxley, sobre um futuro lúgubre da raça humana, representam um mapa aterrador e perspicaz sobre a condição opressora, totalitarista e condicionante exercidas pelo sistema, e adornada pelas falsas máscaras de uma modernidade predadora. 
Em 1959 Huxley usa todo seu intelecto e estudo para proferir 15 conferências na Universidade da Califórnia postulando a necessidade do homem repensar seu paradigma de mundo e de ordens por ele estabelecidas. Estas conferências compõem sua obra denominada de "A Situação Humana". Os temas abordados por Huxley dialogam entre si, processando questões ligadas à filosofia, ciência, artes, religião, linguagem, história, psicologia, guerra e nacionalismo, traçando e contestando os segmentos das várias formas de expressão que a humanidade vem usando para relacionar-se entre si, com seu meio social e com a natureza, valorizando o papel do artista, o definindo na função de um construtor de pontes desta relação. Uma verdadeira odisseia a respeito das influências humanas no Planeta Terra.

Algumas de suas principais obras: 

Aldous Huxley
Contra ponto - 1928


 



Em Contra ponto, um de seus primeiros romances, Huxley já destilava sua ácida crítica em relação aos costumes sociais da época, nesta época já era considerado sinônimo de ficção provocadora e idéias arrebatadoras.














Aldous Huxley
Admirável Mundo Novo - 1932




Um dos livros mais importantes e influentes da história, a grande obra que definiria sua carreira. Huxley cria uma visão aterrorizante de um futuro onde a raça humana é concebida através de um incrível processo de ciência genética, em uma colossal linha de produção e condicionamento a fim de formar cidadãos "perfeitos" e "estáveis".












Aldous Huxley
Sem Olhos em Gaza - 1936






Em "Sem Olhos em Gaza", Huxley continua a retratar de forma sombria e violenta as relações sociais, embora sugerisse alternativas viáveis por meio de sua conversão ao pacifismo.
















Aldous Huxley
Também o Cisne Morre - 1939





Nesta obra Huxley flerta com o desejo da vida eterna, onde um milionário americano dos anos 1930 tem medo de morrer e busca desesperadamente uma forma de viver para sempre. Uma sátira ácida e contundente sobre o desejo humano de viver para sempre.













Aldous Huxley
O Macaco e a Essência - 1948




Outra obra distópica de Huxley. Escrito em formato de roteiro para o cinema, o livro traz em seu enredo a descrição de um mundo devastado por uma hecatombe nuclear, com exceção de uma ilha na Oceania, que permanece isolada dos efeitos nucleares e radioativos. Depois de um longo período de isolamento essa civilização resolve sair em busca de sobreviventes da catástrofe radioativa, e as novas redescobertas não serão nada agradáveis.Além do caráter apocalíptico o romance traça uma mordaz crítica aos dogmas de dominação religiosos. 













Aldous Huxley
As portas da Percepção - 1954 / Céu e Inferno - 1956



Portas da percepção é um relato do escritor sobre as descrições de suas experiências com a mescalina, droga alucinógena que ele tomou para tentar compreender como a mente funciona. Nos anos 1960 esse livro se tornou leitura obrigatória para a emergente cultura hippie e psicodélica, principalmente pelo fato de Huxley ter tomado LSD no leito de morte.














Aldous Huxley
A ilha - 1962





Em seu último romance Huxley se divorcia do distopismo e molda uma utópica sociedade onde seus membros vivem harmoniosamente entre si e com a natureza na Ilha de Pala. Escrito de forma sagaz e penetrante, uma profunda análise dos elementos que levam o ser humano ao encontro da plenitude da vida.     













quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Dualidade Sonora: The Man Who Sold The World - David Bowie X Nirvana

Novas versões de antigas canções. Foi isso que o Nirvana fez, quando resolveu fazer uma rendição ao vivo da clássica música de Bowie The Man Who Sold The World - que também da nome ao 3º álbum do camaleão do rock, produzido em 1970 - no MTV Umplugged em 1993, que aliás, foi um dos melhores Umpluggeds realizados até então, desde a montagem do cenário até a virtuosística interpretação da banda de Seatle.

Uma música e duas versões que marcaram a história do rock and roll.







 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A sonora melancolia pós punk do Joy Division

Uma das grandes virtudes humanas reside na forma e no ato da expressão, dar vida a sentimentos e idéias, e consequentemente transformá-las em arte. E a música é uma destas formas aonde o ser humano consegue construir suas as conexões entre as emoções sofridas ao sentido da existência.
O ano é 1976, onde o movimento punk já começa a mostrar sinais de desgaste, um período de transição e o nascimento de uma das bandas mais influentes e melancólicas do cenário do rock. Nasce o Joy Division. Influenciado pelo cenário punk da época, já sentindo os reflexos de uma era onde a música eletrônica começaria a ganhar força.

camiseta
Joy Division

Embalado por esta fusão de sons e pela visão trágica e desesperadora do vocalista Ian Curtis, a banda começa a angariar uma legião de admiradores que se identificavam com este aspecto sombrio e lúgubre, que viria a fazer parte do contexto cultural dos anos 80.
Ao mesmo tempo que a banda ia fazendo sucesso os problemas de Curtis com a epilepsia passavam a ser constantes e os ataques chegavam a acontecer em cima do palco, durante as apresentações da banda. Aliado a isso, a vida conjugal do vocalista do Joy Division passava por um conturbado divórcio. Fatores que podem ter contribuído para seu suicídio. A única certeza é que a complexidade de uma vida, a atmosfera envolvida e o ambiente social turbulento que cercam a mente humana, fazem com que os indivíduos caminhem sob às margens de um abismo beirando as profundezas das perturbações, motivos e razões sempre vão permear os ditames de uma eventual morte desejada, mas nunca serão aptos à entendê-la ou julgá-la.

Control
Control - 2007








Em 2007 foi lançado o filme Control, sobre a vida e morte de Ian Curtis.













 
Em 1980 após o suicídio de Curtis os ex integrantes do Joy Division, Bernard Sumner (vocais, guitarra e sintetizadores), Peter Hook (baixo e sintetizadores) e Stephen Morris (bateria, bateria eletrônica e sintetizadores), resolvem montar o New Order, com a adição de tecladista/guitarrista Gillian Gilbert.
A nova ordem parece soar como uma continuação do Joy Division, aprofundando os flertes com a sonoridade eletrônica.


camiseta
Álbum do New Order: Movement - 1981



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